RUBENS MORELLI

Peguem as mordaças!


18/09/2014 - 23h15 - Atualizado em 18/09/2014 - 23h16 | Rubens Morelli
rubens.morelli@rac.com.br

Calem as bocas! Parem de pensar! É proibido ter opinião no futebol brasileiro. Ninguém pode criticar o árbitro e muito menos falar qualquer coisa a respeito da Confederação Brasileira de Futebol. Muito menos que ela é uma vergonha. Onde já se viu? Crime hediondo e prisão perpétua para o infeliz. Aí, em vez de aproveitarmos a ocasião para discutirmos sobre a qualidade da arbitragem e do próprio futebol praticado aqui, pegamos o caminho errado pra crucificar o jogador que sai do lugar comum e comete a delinquência de levantar a voz contra os poderosos.
 
Emerson Sheik reclamou da atuação de Igor Benevenuto, o apitador de Botafogo x Bahia, mas protestou mesmo contra quem o escalou. Nesta quinta-feira, já sem a adrenalina do jogo, o atacante voltou a disparar contra a cartolagem, defendendo o óbvio: é preciso profissionalizar os árbitros para melhorar o nível.
 
A ideia nem é nova. Já vem sendo falada por pensadores há muito tempo, mas nunca é colocada em prática. E enquanto os árbitros tiverem de se sustentar como policiais, advogados, professores, veterinários, comerciantes, servidores públicos e afins, o futebol brasileiro vai afundando. E o Superior Tribunal de Justiça Desportiva jogando pá de terra por cima. Eles adoram os casos mais populares. Dá visibilidade. Pobre destino.
 
Podíamos aproveitar enquanto o 7 a 1 ainda está fresco na memória para promover uma revolução. Mas a volta de Dunga foi o máximo que a cartolagem ousou mudar. Até porque o interesse da CBF é a Seleção, que dá dinheiro, e não o campeonato, muito menos, mas muito, muito menos a formação dos atletas como cidadãos.
 
Aqueles que são educados para formar opiniões. É preferível que todos mantenham o discurso do “Graças a Deus, o professor ajudou e a gente saímos (sic) com a vitória”, ou, melhor ainda, que fiquem calados, geração após geração, para não dar dor de cabeça a quem manda, desmanda e assina os cheques, incluindo os deles mesmos.
 
É mais fácil punir um atleta destoante do que olhar para o próprio umbigo e reconhecer os erros. É mais fácil destruir uma opinião do que construir uma sociedade inteira com direito a falar o que pensa sobre o que e quem quiser. É mais fácil manter todos na ignorância do que usar a verba dos patrocínios milionários para investir em algum projeto educacional de qualidade.
 
O STJD vai punir Emerson Sheik mais uma vez. E nós só podemos lamentar. Não pelo Sheik ou pelo que disse, certo ou errado. Mas pela falta de liberdade de qualquer um falar o que pensa neste País dito democrático e sem censura. Peguem as mordaças!






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1 Cruzeiro 53
2 Internacional 47
3 São Paulo 43
4 Atlético-MG 43
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