HENRIQUE NUNES

Um canhoto de esquerda


02/10/2014 - 13h30 - Atualizado em 01/10/2014 - 21h17 | Henrique Nunes
henrique.nunes@rac.com.br

Não é culpa minha. Deve ter sido mau humor de Deus ou, sei lá, acaso gerado por milhares de combinações genéticas. Mas nasci canhoto. De pé e de mão. Escapei das torturas e do preconceito que alguns tios sofreram pela aberração de pensar e agir com a esquerda. Por sorte, mais dos meus tios do que minha, o futebol sempre vencia o preconceito e nós, canhotos, tínhamos enorme vantagem dentro de campo.
 
A perna esquerda age contra a corrente, fere a lógica dos padrões e, quando trabalhada, costuma se sobressair diante da concorrência.
 
Ser canhoto, no entanto, é fichinha perto do carma que é ser de...esquerda. Não a esquerda dos reaças, repleta de chavões, mimimis e bravatas não raro tão ou mais preconceituosas que o discurso individualista de neoliberais, direitistas ou fundamentalistas religiosos. Ser de esquerda é — ou deveria ser — como jogar com a perna esquerda: um subterfúgio, um recurso, uma habilidade, não uma bandeira.
 
Pensamentos de esquerda são associados às causas sociais, ao fim da luta de classes, à igualdade de direitos em detrimento ao enriquecimento de uns poucos “privilegiados”. Ser de esquerda é, sobretudo, respeitar a vida e a liberdade — algo que a nossa esquerda ainda precisa amadurecer.
 
Se os esquerdinhas fossem mesmo pessoas de esquerda aprenderiam que não se bate na mãe por uma causa nem se cospe na cara de um amigo porque ele não usa botom vermelho.
 
É, mais uma vez, como no futebol: os bons de esquerda são aqueles que estudam o adversário para driblá-lo, tal qual Lionel Messi, o “esquerdista” por excelência da bola. Acontece que na política não há espaço para improviso e os que se intitulam de “homens de esquerda” deveriam estudar mais a própria política, esquecer os blogs famosinhos e se aprofundar em literatura, aceitar críticas e reconhecer as habilidades de quem não pensa como eles.
 
Só assim conseguirão meter a bola no ângulo com as palavras como Messi faz com a bola. Caso contrário, continuarão sendo os chatinhos da roda, os caras que roubam a brisa de quem está exercendo o seu direito de não pensar em nada.
 
Embora sofra horrores para aprender violão e me irrite com os cadernos feitos somente para destro, nunca tive vergonha de ser canhoto. Até porque é com ela, minha mão esquerda, que rabisco meu destino há 30 anos. Mas estou ficando com vergonha de ser de esquerda. Seja lá o que isso signifique.






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