RUBENS MORELLI

Desde criancinha


09/10/2014 - 20h52 - Atualizado em 09/10/2014 - 20h53 | Rubens Morelli
rubens.morelli@rac.com.br

A criançada do bairro o chamava de Forfa sem saber o porquê. Ele não gostava de explicar o porquê — ou incidente, no seu vocabulário —, já que fora o Bentão quem o rebatizara naquele dia do churrasco com farofa. Justo o Bentão, que tinha a fama de ter um chute tão forte que se vangloriava de ter quebrado a vidraça, o poste e até uma lixeira jogando bola. Embora poucos acreditassem, todos tinham amor aos dentes o suficiente para nunca perguntar.
 
Bentão era o dono do pedaço. Comandava tudo. Desde o lado do campo, a murchadinha na bola para quicar menos e até a escolha dos times. E o Forfa, coitado, era sempre o último a ser escolhido. E, irremediavelmente, no time adversário. Claro, magrinho daquele jeito, era presa fácil pro grandão, que deitava e rolava no ataque. Isso quando o Bentão não chutava pra fora e pedia pênalti, alegando ter sido desequilibrado pelo Forfa. Imagina! Era como se uma formiga derrubasse um elefante. Mas quem discordaria daquela jamanta?
 
Um dia o Forfa ganhou uma bola de aniversário. Foi a alegria da criançada. O Bentão, para compensar, promoveu o peso-pena ao seu time. Ele ainda era a última escolha, mas pelo menos ganharia o jogo. Só que aí, o Forfa, sozinho na marca do pênalti, foi teimoso. Em vez de tocar a bola pro Bentão, chutou pro gol e balançou a rede. Em vez da glória, recebeu uma tremenda bronca. De tanto ouvir o berreiro, precisou ir ao otorrino no dia seguinte.
 
Foi depois de um teste do médico com um apito que o Forfa teve a grande sacada que mudaria sua vida. “Pai, quero ser árbitro”, falou. No Dia das Crianças, ganhou uniforme preto, moeda, apito e cartões. Quando chegou ao campinho com a bola embaixo do braço, ninguém entendeu. Mas ele fez questão de explicar. “Agora eu serei o juiz”, decretou. “E meu nome não é mais Forfa. É Fúlvio Rezende de Oliveira!”
 
Bola rolando e, durante o jogo, com o goleiro caído e tremendo de medo, Bentão encheu o pé, mas o chute foi longe. Como de praxe, pediu pênalti, mas Forf... ops, Fúlvio Rezende de Oliveira, conhecedor da artimanha, estreou o cartão amarelo e apontou o tiro de meta. A turma ficou boquiaberta. O Mão de Alface ainda tentou fazer o mea-culpa, dizendo que o reflexo do sol nas luvas atrapalhou o brutamontes, um lance digno de pênalti, na opinião do goleiro, mas o assoprador deu de ombros.
 
Irritado, Bentão abriu a boca e levou o vermelho. “Você está louco? Por que me expulsou?”, perguntou. “Por causa daquela vez do churrasco”, vingou-se Fúlvio, antes de ir embora do campinho de camburão, feliz da vida, com a bola debaixo do braço.






Pos Time PG
1 Cruzeiro 61
2 Atlético-MG 54
3 Internacional 53
4 São Paulo 53
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