JULIANNE CERASOLI

O risco


11/10/2014 - 08h50 - Atualizado em 10/10/2014 - 22h14 | Julianne Cerasoli
faleconosco@rac.com.br

Não precisava nem perguntar. No primeiro dia de trabalho oficial após o traumático GP do Japão, os pilotos reconheciam de uma maneira tão aberta quanto incomum que o acidente de Jules Bianchi causou reflexões sobre o risco do esporte em que competem. Risco esse que, ao longo dos 20 anos desde a última morte na Fórmula 1, havia se tornado quase um adereço.
 
Afinal, após uma sequência inacreditável de eventos, não estávamos mais falando do quase acidente feio de Robert Kubica no Canadá em 2007, do quase fim da carreira de Felipe Massa no GP da Hungria de 2009 ou do quase público fim de Fernando Alonso no GP da Bélgica três anos depois. Um piloto luta pela vida no hospital enquanto, como disse Sebastian Vettel, seus colegas tentam ocupar a cabeça com “coisas tolas como degradação de pneus e o mapeamento de motor.”
 
Foi flagrante o choque do segundo grid mais jovem da história – o primeiro é o de 2013 – com média abaixo dos 27 anos (26,6), no qual poucos têm idade para lembrar aquele trágico final de semana do GP de San Marino de 94.
 
De repente, caiu a ficha de que toda aquela conversa de pilotos como Button, Massa ou Alonso a respeito da importância de respeitar esse tal risco que tantos simplesmente desconheciam fazia sentido. Não há como negar que parte do choque que a comunidade da F-1 acusou, como um todo, tem a ver com a situação em si de Bianchi, mas tem um elemento de não acreditar que a categoria pudesse, de fato, reviver seus momentos mais sombrios.
 
Por isso, talvez não seja esse o momento de sair tomando conclusões precipitadas a respeito do que precisa ser feito. O GP do Japão reuniu porções de vários tipos de erros que vêm sendo cometidos nos últimos anos, fazendo com que o elemento do “quase” tenha desaparecido a 200km/h debaixo de um trator.
 
Tudo começa com a insistência dos promotores do evento em não alterar o horário da prova mesmo com a certeza da chegada de um tufão, obrigando a direção de prova a fazer suas manobras para encerrar a corrida com o máximo de pontos validados. Passa pelo circuito de Suzuka e suas curvas de alta velocidade combinadas com áreas de escape relativamente pequenas. Passa pela menor luminosidade, resultado da combinação chuva + anoitecer. Passa por carros de serviço trabalhando na área de escape mesmo sob condições complicadas, procedimento que já trouxe problemas sérios no passado. Passa, provavelmente, pelo próprio descaso dos pilotos com as bandeiras amarelas.
 
A lição de casa é enorme. Que comece com mais respeito pelo risco.






Pos Time PG
1 Cruzeiro 59
2 São Paulo 52
3 Internacional 50
4 Atlético-MG 50
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