HENRIQUE NUNES

A hora certa de acabar a história


15/10/2014 - 22h56 - Atualizado em 15/10/2014 - 22h58 | Henrique Nunes
henrique.nunes@rac.com.br

“Não”. Foi o último chorinho que ouvi daqueles lábios. Sim, foi um não categórico. Um não, eu diria, para a vida toda. O tempo passou, virei o disco, troquei o samba que não rolou por outras histórias, algumas punks, outras em que jazia ao som de jazz. Mas aquele não, tenho que admitir, ainda ressoa em meus ouvidos. 
 
E pelo sim ou pelo não, me lembro dele ao testemunhar quase que diariamente casos empurrados com a barriga, amores não correspondidos e a hipócrita teoria de que o passado sempre é motivo de sobra para tentar replanejar o futuro.
 
Não, não é nada disso. O amor pode nascer num tropeço aleatório, num acidente de percurso, ou até mesmo num plano pragmático conspirado às escondidas. Mas amor de verdade também acaba. O que dizem, no entanto, é que amor de torcedor é inconteste, inerente à passagem do tempo, imune aos muitos “nãos” que a história transcreveu dentro de campo. O vira casaca, espécie raríssima, é uma aberração diante da tamanha devoção que torcedores menos favorecidos provam todos os dias.
 
Mas não é de hoje que clubes tradicionais, que já tiveram, sim, muitas glórias, começam a se deixar levar pelo não — o não título, o não pagamento de salário, o não público e, por fim, a não tradição. Pergunto cá com meus botões: não seria hora de fechar as portas? Não valeria mais à pena parar por aqui? Não é mais vantajoso para ambas as partes que você, clube do meu coração, e eu, torcedor cego e apaixonado, cheguemos num acordo e sigamos adiante com as nossas vidas mais ou menos medíocres?
 
Não entendo, juro, o que faz alguém querer preservar certas bandeiras. É, como diria meu amigo GZ, a síndrome de São Caetano: “Pelo que virou e pelo tapa que deu nas costas de sua própria trajetória recente, o São Caetano nunca deveria ter existido. Mas como isso não pode ser alterado, que fechasse as portas quando ainda estava no auge”, teorizou GZ, depois de um não levado por SMS dia desses.
 
A síndrome do vice-campeão brasileiro e vice-campeão da Libertadores serve também para muitos outros clubes, alguns até mesmo centenários. O Botafogo é o maior exemplo. Tem uma história linda, foi base da Seleção Brasileira, mas hoje não consegue se safar dos “nãos” que tem recebido. Não quero ser corneta ou jogar água no chope de muito parceiro por aí, mas tem horas que só o fim, só o não dito ao pé do ouvido, é capaz de pagar as contas da história. É ou não é?






Pos Time PG
1 Cruzeiro 60
2 São Paulo 53
3 Corinthians 52
4 Atlético-MG 51
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