JULIANNE CERASOLI

Quero ser czar


01/11/2014 - 14h00 - Atualizado em 31/10/2014 - 22h55 | Julianne Cerasoli
faleconosco@rac.com.br

Não é qualquer um que chega aos 20 anos e com apenas uma temporada completa a uma equipe tetracampeã mundial. Mas nem a inexperiência, nem a juventude são motivos para duvidar que Daniil Kvyat é o homem certo para formar dupla com Daniel Ricciardo na Red Bull em 2015.
 
Em primeiro lugar, a escolha do russo para o lugar de Sebastian Vettel mantém a lógica que a empresa austríaca vem mantendo desde que firmou-se na Fórmula 1, procurando seus valores dentro de um caro programa de desenvolvimento – mas talvez não tão caro quanto o salário de um Alonso ou um Hamilton.
 
Foi assim com Vettel e com o próprio Ricciardo. Enquanto o programa ficou ‘travado’ por Webber e alguns bons valores foram sendo substituídos para ‘fazer a fila andar’, as críticas eram cabíveis, mas as movimentações das últimas duas temporadas deram uma fluidez importante para que a fábrica dê certo, incentivando quem está vindo por aí.
 
A escolha de Kvyat, contudo, é mais que isso: é um voto de confiança e tanto para Ricciardo. Após apenas uma temporada na Red Bull, o australiano poderia ver sua equipe suprindo a saída de Vettel com outro campeão. Promover o russo tem um quê de “Daniel, você é nosso próximo campeão”. Bem diferente da mensagem, por exemplo, que Felipe Massa recebeu da Ferrari quando Kimi Raikkonen foi demitido.
 
Mas por que promover Kvyat e não seu companheiro mais experiente, Vergne, que deu trabalho a Ricciardo e responde, nesta temporada, por mais de 72% dos pontos da Toro Rosso?
 
Sem conhecer os bastidores do trabalho dos dois, é difícil cravar, mas dois fatores merecem menção. O estreante é daqueles que chamam a atenção nas vezes em que fui observar os pilotos na pista. Daqueles muito agressivos, que pegam o carro pelo pescoço. Isso nem sempre é produtivo, mas as boas performances de outros pilotos que têm essa marca, como Bottas, Hamilton e Alonso frente a seus companheiros dão o indício de que isso é positivo para o atual regulamento.
 
Além disso, é inegável o interesse da Fórmula 1 em explorar o mercado russo, infinitamente mais atraente que o decadente mercado francês – e especialmente para a Red Bull, pois se trata de um país em que as vendas de energy e sports drinks cresce a mais de 20% por ano.
 
É como unir o útil ao agradável. Bom para o novo líder Ricciardo (pelo menos enquanto Kvyat não chegar chegando, da mesma forma que ele fez com Vettel), para os bolsos da Red Bull e para nós, que veremos um piloto que pisa forte em um carro que tem tudo para ser um dos protagonistas em 2015.






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