CARLO CARCANI

Trocando o lugar da briga


05/12/2014 - 22h34 - Atualizado em 05/12/2014 - 22h35 | Carlo Carcani
carlo@rac.com.br

Imagino que o Ministério Público agiu com a melhor das intenções, mas a ideia de mudar o local de Palmeiras x Atlético-PR foi tão ruim que mostrou como o Brasil está longe de acertar o rumo no combate à violência no futebol.
 
O jogo é importante e de alto risco porque pode sacramentar o terceiro rebaixamento do Palmeiras à Série B. Esse clima de tensão, porém, não pode servir de justificativa para que se tire o confronto de uma arena moderna e confortável, que, bem administrada, pode contribuir e muito para que o Palmeiras volte a ter times competitivos.
 
Levar o jogo para o Pacaembu seria uma solução burra. Primeiro porque os alambrados, que teoricamente seriam mais eficientes para impedir uma invasão ao gramado, não garantem segurança a ninguém. Há 20 anos, um jovem morreu espancado no gramado do mesmo Pacaembu.
 
Os estádios da Copa e o Allianz Parque não possuem fossos ou alambrados. Grandes tragédias do futebol mundial aconteceram justamente por causa desses, digamos, aparatos de segurança. Ter estádios modernos é um passo adiante na missão de oferecer conforto e segurança ao público que consome não apenas o futebol, mas toda a máquina que gira em torno dele.
 
Se um organismo como o Ministério Público defende a ideia que um jogo importante não pode ser realizado no Allianz Parque por motivos de segurança, então temos que demolir as novas arenas e construir estádios com padrão dos anos 60 e 70, com grades, telas, alambrados, fossos, muros e capacidade para 150 mil pessoas espremidas ou em pé (atenção construtoras e dirigentes, isso é só uma ironia).
 
O Brasil precisa avançar muito nessa área para que a indústria do entretenimento possa explorar seu potencial nesse país que adora esporte. O futebol tem enorme capacidade de gerar empregos e movimentar a economia. Tirar um grande jogo do Allianz Parque por medo de poucos maus torcedores é assumir a incapacidade de enfrentar o problema, ao mesmo tempo em que se opta por prejudicar milhares de fãs comuns.
 
Um torcedor de 43 anos morreu na Espanha na semana passada, antes do jogo Atlético de Madrid x La Coruña. Assim que recebeu um relatório da polícia sobre o incidente, o Atlético expulsou oito sócios e baniu a torcida “Frente Atlético”, envolvidos na briga. Notem que a reação foi imediata e partiu do clube e não de um tribunal esportivo, meses depois.
 
Ao contrário da CBF, a Liga Espanhola se posicionou. Seu presidente, Javier Tebas, disse que os clubes devem se comprometer a erradicar os torcedores violentos. Afirmou que vai elaborar uma lista de clubes que colaboram com as organizadas, lá chamadas de ultras, e que irá propor punições a eles, entre as quais a perda de pontos ou rebaixamento.
 
É assim que se combate a violência. Trocar o lugar da briga, evidentemente, não adianta nada.






Pos Time PG
1 Cruzeiro 80
2 São Paulo 70
3 Internacional 69
4 Corinthians 69
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