CARLO CARCANI

Se no vôlei é assim...


12/12/2014 - 23h10 - Atualizado em 12/12/2014 - 23h11 | Carlo Carcani
carlo@rac.com.br

Nos últimos meses andei revendo a história de alguns medalhistas olímpicos do Brasil, desde Guilherme Paraense — o primeiro campeão olímpico do País, em 1920 — até os que subiram no pódio mais recentemente. Os primeiros medalhistas viveram verdadeiras aventuras. Paraense, por exemplo, foi de navio para a Bélgica, pagando a passagem com dinheiro do próprio bolso. Levou 27 dias para chegar lá, mas em uma conexão em Bruxelas teve suas armas e munições roubadas. Só conseguiu competir no tiro porque atletas dos Estados Unidos lhe emprestaram armas e balas. Não fosse por isso e não teria conquistado a primeira medalha de ouro do Brasil, nos Jogos de Antuérpia-1920.
 
Pulando para 2012, chegamos ao ouro de Arthur Zanetti na ginástica. Depois de quase cem anos, poderíamos imaginar que o esporte brasileiro se profissionalizou. Poderíamos imaginar que um atleta de ponta agora conta com uma estrutura de treinamento que lhe permita enfrentar os melhores do mundo com boas chances de sucesso.
 
Pois estamos enganados. Antes de ser campeão, Zanetti treinou em São Caetano num ginásio com goteiras, academia de musculação incompleta e aparelhos enferrujados. Mesmo depois de voltar de Londres com o ouro na bagagem, teve que treinar sem condições ideais e enfrentou dificuldades para conseguir patrocinadores.
 
Portanto, quando olhar para um brasileiro medalhista olímpico, tenha consciência que provavelmente ele é um herói do esporte, capaz de atingir um nível muito superior ao que lhe foi oferecido pelo País que defende.
 
Eu tinha a impressão que no vôlei as coisas eram diferentes. Desde o sucesso da geração de prata, o esporte se desenvolveu muito. O processo de seleção de novos talentos foi impecável, nossos treinadores figuram entre os melhores do mundo, assim como as seleções masculina e feminina, de todas as categorias.
 
Mas então o Dossiê Vôlei, excelente reportagem de Lucio de Castro, da ESPN Brasil, mostrou que até no vôlei, apesar da estrutura e do talento, estamos a pé no que diz respeito aos dirigentes.
 
A matéria deu origem a um relatório devastador da Controladoria Geral da União, que forçou o Banco do Brasil a suspender o patrocínio à CBV até que a entidade anuncie medidas de combate à corrupção.
 
A CBV desviou milhões de reais destinados até à premiação de atletas. Um escândalo sem precedentes que nos faz pensar: se no vôlei é assim, o que acontece em tantas outras modalidades?






Pos Time PG
1 Cruzeiro 80
2 São Paulo 70
3 Internacional 69
4 Corinthians 69
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