Gabriel revela que quer ficar no Santos por muito tempo


Jogador, artilheiro da Copa do Brasil deste ano, falou sobre o assédio do futebol europeu e o novo contrato


15/12/2014 - 17h52 - Atualizado em 15/12/2014 - 17h56 | Agência Estado
faleconosco@rac.com.br



Foto: Leandro Martins/AE
Gabigol foi convocado, nesta segunda-feira, pelo técnico Alexandre Gallo para defender a Seleção Brasileira Sub-20 em um torneio amistoso na China
Gabigol foi o principal destaque do Santos na temporada 2014, ao lado do ídolo, Robinho
Gabriel chega ao fim do seu segundo ano como profissional em grande fase. Com 21 gols, o atacante de 18 anos tornou-se o artilheiro do Santos na temporada de 2014. A marca alcançada em 56 jogos o fez superar Robinho, que anotou 11 gols em 36 partidas no ano em que completou 18 anos (2002). Curiosamente, os dois jogadores dividiram o quarto na concentração.

Em entrevista, Gabriel deu detalhes da convivência com o camisa 7. O jovem jogador, goleador máximo da Copa do Brasil deste ano (com seis gols, ao lado de Bill e Léo Gamalho), também falou sobre o assédio do futebol europeu e o novo contrato de cinco anos com o Santos.

Segundo Gabriel, todo jogador sonha com a Europa para jogar nos melhores campeonatos do mundo. Ele admite, porém, que ainda é cedo para que o passo seja dado. “Sou muito novo ainda, estou no meu primeiro ano (completo) como profissional. Espero ficar aqui (no Santos) por muito tempo”, disse o atacante, que citou Serginho Chulapa como o principal exemplo dentro dos gramados e ressaltou a importância da família por trás do sucesso neste início de carreira.

Agência Estado - Você enfrentou muitas dificuldades até chegar no Santos?

Gabriel - Foi muito difícil, mas meus pais me ajudaram bastante. Eu joguei em algumas escolinhas em São Bernardo do Campo, antes de completar oito anos. Meu primeiro time mesmo foi o São Paulo. Na época, disputei um amistoso contra o Santos e marquei seis gols. O Zito estava lá e perguntou se eu queria ir para cá. Eu disse que, sim, lógico, porque eu sou santista. E ainda tinha algumas dificuldades para ir treinar no São Paulo, eu tinha de pegar três ônibus. Aqui eles me ofereceram apartamento, escola. Eles tiveram essa preocupação a mais comigo. Veio todo mundo para cá: meu pai, minha mãe e minha irmã. Quando eu cheguei foi difícil porque era novo. Meus amigos não vieram e tive de fazer novas amizades. Depois, com o tempo, comecei a me sentir em casa aqui em Santos.

AE - E como foi a estreia no profissional?

Gabriel - Subi para o profissional com 16 anos e também estreei com essa idade. Foi muito emocionante para mim o primeiro jogo. E também foi a despedida do Neymar do Santos, no mesmo dia (26 de maio de 2013, empate sem gols com o Flamengo, em Brasília). Pena que foi em um dia tão triste para o Santos. Jogamos poucos minutos juntos, mas tentei aproveitar ao máximo.

AE - Sonha em voltar a reeditar a dupla?

Gabriel - Sempre foi um sonho jogar com ele. O Neymar é um dos meus ídolos. Eu não pude mais vê-lo em campo. Nós falamos pouco também. Mas sempre assisto aos jogos do Barcelona quando posso.

AE - Você pensa em jogar no exterior, talvez no Barcelona?

Gabriel - Claro que é um sonho de todo o jogador jogar na Europa. Os campeonatos são os melhores, com os melhores jogadores. Mas ainda é cedo, meu pensamento está aqui. Acabei de renovar contrato. Sou muito novo ainda, estou no meu primeiro ano (completo) como profissional. Espero ficar aqui por muito tempo. Sei pela imprensa que existem propostas, mas nenhuma chegou para mim. E meus pais cuidam muito bem disso, com meu empresário. Minha única preocupação é jogar, ficar tranquilo e descansar para estar sempre bem.

AE - A sua relação com a família é importante?

Gabriel - Meu pai sempre está por perto, acompanha os treinos. É um amigo. Ele sabe tudo que acontece comigo. Isso é muito importante para mim. E dá muitas dicas, todo brasileiro é um pouco técnico.

AE - Como é jogar com a camisa 10 do Santos?

Gabriel - A camisa 10 de todos os times são importantes. Mas a do Santos tem um peso a mais, é a mais importante, por causa do Pelé. Tenho me sentido muito bem, já usava na base e comecei a usar no profissional desde a chegada do Robinho. Estou muito feliz com ela e espero que isso dure, porque é uma coisa muito especial.

AE - E a relação com Robinho?

Gabriel - Conversamos bastante sobre as coisas fora do futebol. Ele sempre me dá alguns conselhos, até porque ele é bastante experiente. Ele diz que sou o filho mais velho dele. Até dividimos o quarto na concentração, estou aprendendo muito com ele. É um dos meus ídolos. Um exemplo pelo o que ele faz aqui. Vem na folga se tratar, vem se cuidar. E também pelo homem que é fora de campo. É a minha referência.

AE - Você prefere jogar aberto ou mais perto da área?

Gabriel - O jogador atual tem de jogar em qualquer posição. Já fui usado aberto, de meia e centroavante. Eu tento me esforçar ao máximo. E sempre evoluir. Mas eu nunca fui centroavante, jogava aberto na base. O Oswaldo pedia bastante para eu ficar na área. Quando eu saia, ele pedia para eu ficar lá, perto do gol. Agora, no time, eu sou um falso 9, o Damião é um jogador mais de área.

AE - O que acha da pressão sobre o Leandro Damião?

Gabriel - Toda profissão tem a sua cobrança. Claro que com ele é mais forte, porque ele é o Leandro Damião, jogador de seleção brasileira, um grande jogador. Mas isso passa. Ele tem a cabeça boa, tem a personalidade muito forte.

AE - O Santos passou em branco em 2014, depois de três temporadas. Você sente a pressão por títulos?

Gabriel - Eu vivo o momento, em cada jogo penso em ajudar o Santos. Tenho muito para aprender ainda. Aproveitar o Robinho, o Dracena e o Arouca, que são os mais experientes do elenco. Pressão sempre vai existir, mas minha cabeça é muito boa quanto a isso. Tenho de jogar futebol. O resto é consequência.

AE - Você ficou decepcionado com os resultados neste ano?

Gabriel - O Santos não fez uma temporada ruim. Perdemos na final do Paulista, chegamos a pensar no G4 do Brasileiro e perdemos para o Cruzeiro na semifinal do Copa do Brasil. Claro que existe pressão por títulos. Mas não foi tão ruim quanto as pessoas têm falado. Nosso time fez um ano bom.

AE - Qual a diferença entre Oswaldo de Oliveira e Enderson Moreira?

Gabriel - É difícil comparar os dois. Eles são bem legais. E entendem bastante de futebol. O Oswaldo é muito experiente, estuda muito. Ele é mais paizão também, conversava mais com a gente. O Enderson é um grande treinador também. Nos deixa muito à vontade.

AE - Você já pensa na seleção brasileira, mesmo aos 18 anos?

Gabriel - É um sonho. Todo jogador espera chegar à seleção. Na base consegui jogar em todas as seleções. Vou fazer o que sempre fiz: tenho de trabalhar, entrar em campo, treinar bastante, ter os pés no chão. E aproveitar meu espaço no aqui. O clube me leva à seleção. Se eu estiver bem, será mais fácil.

AE - Em relação às declarações contra o Rogério Ceni (em fevereiro, o atacante disse que o goleiro queria “mandar no jogo”). Vocês se acertaram?

Gabriel - O Rogério é um grande goleiro, um ídolo. Ele é diferente. Nos falamos depois, é coisa do futebol. Não me arrependi da declaração, eu fiz, está feito. Me arrependi de ter feito o gesto para a torcida, porque as coisas têm de ficar no campo. Antigamente era normal, o Viola marcou um gol, imitou um porco e ninguém falou tanto.

AE - Qual o seu maior grande exemplo em campo?

Gabriel - Eu não cheguei muito a ver. Mas pela pessoa que é, pelo que meu pai me fala e pelo que vejo hoje, é o Serginho Chulapa. É impressionante como ele ama o Santos. Ele sempre está por aqui. Sou muito fã dele, sempre tento conversar com ele. Ele sempre gostou de mim de graça. Ele é um cara que vai ficar guardado para sempre. É muito especial.

AE - Faz algum trabalho específico para fortalecimento muscular?

Gabriel - Na época do Muricy, quando eu subi, fiz um trabalho de fortalecimento. Ganhei três quilos. Agora eu consigo manter, às vezes perco pela sequência de jogos. Mas o Santos cuida bem disso, porque sou muito leve. Faço academia a mais que os outros. Isso é importante pelo meu estilo: de força, de arrancada, de jogar perto da área e brigar com os zagueiros.

AE - Como você se vê daqui a cinco anos, quando o seu contrato com Santos chegar ao fim?

Gabriel - Não gosto muito de projetar. Prefiro viver o momento. Espero que eu posso marcar muitos gols e ganhar muitos títulos com o Santos. É o meu sonho, porque sou santista e o clube fez muito por mim. Quero chegar aos 23 anos como agora: trabalhando bastante e feliz.




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